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18 dez 2013

Lesões na medula espinhal causam, anualmente, incapacidades em 500 mil pessoas

Anualmente cerca de 500 mil pessoas ficam incapacitadas devido a lesões na medula espinhal, revela um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

O estudo é o primeiro elaborado a nível mundial sobre esta área da saúde.

“A lesão espinhal é uma condição muito complexa do ponto de vista médico e com forte impacto na vida diária dos doentes”, referiu o diretor do departamento de Violência e Prevenção de Lesões e Incapacidades da OMS, Etienne Krug.

O estudo apurou que cerca de 90% das lesões devem-se a “causas traumáticas” como acidentes de viação, quedas de grandes alturas ou violência, embora se registem variações segundo as regiões.

Na África, por exemplo, 70% das lesões da medula espinhal devem-se a acidentes de viação, valor que na região do Pacífico Sul e na Oceânia cai para 55%, enquanto no sudoeste Asiático e na zona do Mediterrâneo Oriental as quedas de grandes alturas representam cerca de 40% dos casos.

No caso das lesões não traumáticas, as principais causas são os tumores, a espina bífida e a tuberculose, doença que na África Subsaariana representa “um terço das lesões medulares não traumáticas”, indicou Krug.

De acordo com o relatório, os homens apresentam maior risco de sofrer lesões na medula entre os 20 e os 29 anos e a partir dos 70, enquanto as mulheres têm mais possibilidades de sofrer uma lesão desta natureza entre os 15 e os 19 anos e depois dos 60.

O estudo refere ainda que este tipo de lesão contribui para o desenvolvimento de patologias secundárias que podem ser letais, como tromboses, infeções urinárias, úlceras ou complicações respiratórias.

Para além das consequências físicas, como a incapacidade ou a dor crónica, as lesões medulares têm também repercussões emocionais, já que 20 a 30% destes indivíduos mostram “sinais de depressão clinicamente significativos”, indicou a coordenadora de incapacidades e reabilitação da OMS, Alana Officer.

As crianças com estas lesões têm uma menor probabilidade de iniciarem um percurso escolar e, uma vez inscritos, têm menos possibilidade de progredir, enquanto os adultos com lesões medulares registram taxas de desemprego globais de mais de 60%.

Alana Officer alertou ainda para o fato de muitas das consequências que resultam das lesões não derivarem diretamente da lesão, mas “da falta de atenção médica adequada no momento do acidente e no tratamento de reabilitação posterior, bem como das barreiras físicas e sociais que excluem estas pessoas da sua participação nas comunidades”.

“Um diagnóstico rápido, a estabilização das funções vitais, a imobilização da medula para preservar as suas funções neurológicas e o controle sanguíneo e da temperatura corporal são cuidados que os lesionados devem receber no prazo de duas horas após o acidente”, referiu ainda a OMS.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.