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5 jul 2013

Aumento das prescrições de testosterona gera preocupação com excessos

A quantidade de homens de meia idade que obtém prescrições de testosterona vem crescendo rapidamente. Isso eleva a preocupação de que um número cada vez maior de homens esteja usando de forma imprópria esse potente hormônio, para aumentar a libido e sentir-se mais jovem, relataram pesquisadores na última segunda-feira.

A terapia de reposição de testosterona é autorizada somente no tratamento o hipogonadismo, ou redução anormal nos níveis de testosterona. Esse hormônio ajuda a aumentar a massa muscular, reduzir a gordura corporal e aumentar a libido. Um estudo publicado no periódico JAMA Internal Medicine, porém, descobriu que muitos homens recebem prescrições para o hormônio sem que seja comprovada essa deficiência.

O estudo recente é o maior realizado até agora sobre padrões de prescrição de testosterona e incluiu aproximadamente 11 milhões de pessoas do sexo masculino, que foram monitorados por meio de uma seguradora de saúde de grande porte. O relatório demonstrou que o número de homens idosos e de meia-idade que recebeu receitas do hormônio triplicou a partir de 2001.

Os homens na faixa dos 40 constituem o grupo de usuários cujo uso tem aumentado mais rapidamente. Entre os homens que receberam prescrições de testosterona, aproximadamente metade havia recebido o diagnóstico de hipogonadismo, e cerca de 40 por cento tinham disfunção erétil ou sexual. Um terço tinha recebido o diagnóstico de fadiga.

A Sociedade de Endocrinologia dos Estados Unidos, associação de médicos que estabelece as diretrizes para a terapia de reposição de testosterona, recomenda o tratamento apenas para os homens que possuem níveis claramente baixos de testosterona. Para que esses níveis sejam descobertos é necessária a realização de um exame de sangue. O novo relatório, porém, descobriu que um quarto dos homens não realizou o exame antes de receber o hormônio. Também era incerta a porcentagem de homens que realizou o exame e apresentou deficiência hormonal.

A terapia com testosterona pode engrossar o sangue, causar acne e reduzir a contagem de espermatozoides. Muitos médicos também temem que a terapia aumente o risco de doenças cardíacas e câncer de próstata. Alguns especialistas, porém, afirmam não existir comprovações para tais afirmações. Jacques Baillargeon, principal autor da nova pesquisa, afirmou que a segurança do uso de testosterona no longo prazo ainda precisa ser demonstrada em estudos de qualidade.

“Eu acredito que esses homens relativamente saudáveis que começaram a receber testosterona aos 40 anos talvez fiquem expostos por um período de tempo muito grande e não sabemos quais são os riscos envolvidos”, afirmou Baillargeon, professor adjunto de epidemiologia do departamento médico da Universidade do Texas, em Galveston.

Os níveis de testosterona normalmente começam a diminuir de forma gradual após os 30 anos. Para a maioria dos homens, o nível médio varia de 300 a 1000 nanogramas por decilitro de sangue. Mas esse nível pode oscilar muito de acordo com diversos fatores: sono, hora do dia, medicação. Em muitos homens, o nível atinge o intervalo que caracteriza o hipogonadismo em um dia e normaliza no dia seguinte.

Alguns estudos estimam que até 30% dos homens entre 40 e 79 anos possuam uma deficiência hormonal real, embora apenas uma pequena porcentagem desenvolva de fato sintomas clínicos como depressão, ondas de calor e disfunção erétil.

O Dr. Ronald S. Swerdloff, endocrinologista da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e um dos autores das diretrizes de tratamento da Sociedade de Endocrinologia, afirmou que as recomendações são “muito claras” em relação ao fato de que o tratamento se destina a homens cujos exames de sangue comprovem uma deficiência de testosterona e que apresentem os sintomas do distúrbio. “Eu não acredito que seja adequado o paciente receber tratamento para hipogonadismo sem a comprovação por meio de exame”, afirmou.

O Dr. Abraham Morgentaler, professor de urologia da Faculdade de Medicina de Harvard e autor de Testosterone for Life (‘Testosterona para a Vida’), afirmou que as descobertas são um sinal positivo de que a deficiência de testosterona está sendo diagnosticada e tratada. Embora muitos médicos se preocupem com os efeitos colaterais do uso excessivo de testosterona, alguns estudos demonstraram que homens com níveis baixos desse hormônio têm expectativa de vida reduzida e risco maior de contrair diabetes, doenças cardíacas e osteoporose, afirmou.

“O envelhecimento está associado a problemas de visão, audição e dentários, bem como problemas nas artérias e articulações, além de câncer – e nós lidamos com todos eles”, afirmou Morgentaler. “Eu acho que é uma limitação injusta afirmar que, porque algo é comum ou natural, não deva ser tratado.”

Fonte: Folha de São Paulo