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4 ago 2013

Radiação para detectar câncer será testada em humanos pela primeira vez no Brasil

Os exames serão organizados pelo Centro de Imagem Molecular (Cimol) da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais e devem ocorrer até o fim deste mês

Pela primeira vez no Brasil, testes de imagem para detectar o desenvolvimento de células cancerígenas usando a substância radioativa [18f] fluorclorina serão ministrados em humanos. Os exames serão organizados pelo Centro de Imagem Molecular (Cimol) da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais e devem ocorrer até o fim deste mês. Eles serão realizados em pacientes com câncer de próstata voluntários e contribuirão para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passe a permitir sua comercialização no Brasil.

Se tudo correr bem no chamado “ensaio clínico” – quando o fármaco é testado em humanos –, o Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN), instituição vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e sediada no câmpus da UFMG, em Belo Horizonte, passará a produzir e comercializar a [18f] fluorclorina. “Essa substância já é utilizada na Europa há alguns anos e recentemente teve seu uso liberado para uso clínico nos Estados Unidos”, explica o professor e coordenador de Medicina Nuclear do Cimol, Marcelo Mamede. Segundo ele, os exames de tomografia por emissão de pósitrons (PET, na sigla em inglês) podem possibilitar diagnósticos mais precoces do que fazem as tomografias e as ressonâncias magnéticas. Mamede conta também que a [18f] fluorclorina já foi testada em animais no Brasil.

No procedimento, o radiofármaco é injetado no paciente e se espalha por seu corpo. O paciente passa a emitir radiação, que é medida pelo aparelho de PET, e as áreas onde há maior reprodução de células emitem maior radiação. A partir disso, é possível fazer uma imagem de tumores. “Você tem a pele ou o osso, e quando você vai fazer o diagnóstico, quando o tumor começa a crescer, a estrutura muda de tamanho, de forma, de conformação. Mas nas tecnologias já estabelecidas, como tomografias e ressonâncias, há restrições em tamanho, em características e, eventualmente, só é possível fazer o diagnóstico depois de um tempo. Quando eu pego a PET usando radiofármacos, consigo fazer esse diagnóstico antes”, frisa Mamede.

 O ensaio clínico, que deve ser concluído até o fim de setembro, já foi aprovado pelo Comitê de Ética de Pesquisa em Seres Humanos da UFMG e será feito em três grupos de 100 pessoas. O primeiro grupo consistirá de pacientes já diagnosticados com câncer de próstata mas que ainda não fizeram nenhum procedimento de tratamento, como quimioterapia ou cirurgia. O segundo será de pacientes que tiveram a próstata retirada (prostatectomizado) e que posteriormente foram diagnosticados com um leve aumento de PSA (Prova do Antígeno Prostático), que pode indicar reincidência de tumores. E o terceiro será composto de pacientes com alto risco para câncer de próstata, que fizeram biópsia guiada por ultrassom transrretal mas o resultado foi negativo. Os pacientes participantes serão selecionados pelas equipes de urologia do Hospital das Clínicas da UFMG e do Hospital Luxemburgo, ambos na capital mineira.

 O resultado esperado do exame é que ele possa diagnosticar mais pacientes com câncer de próstata e com maior precisão. Marcelo Mamede destaca que a quantidade da droga a ser administrada não faz mal ao indivíduo. “Senão o teste fica com uma conotação de cobaia. Não é uma cobaia. Nós já sabemos que o princípio ativo dele funciona, mas há uma exigência da Anvisa no Brasil. Há dados suficientes na literatura que comprovam que a [18f] fluorclorina funciona, o que nós estamos fazendo é replicando um ensaio que foi confirmado lá fora”, garante.

 VIDA CURTA O professor explica também que a meia vida da [18f] fluorclorina – período de decaimento, tempo em que metade da massa da substância radioativa desintegrará – é curto e, portanto, até hoje não era possível importar a substância para o Brasil e, assim, fazer o exame. “O produto tem que ser utilizado a uma distância de no máximo duas horas de onde foi produzido. Sua meia-vida é de cerca de 100 minutos”, afirma. “Então, se importássemos a [18f] fluorclorina da Europa ou dos Estados Unidos, quando ela chegasse aqui teríamos só água”, brinca o professor.

 Uma desvantagem do exame com esse tipo de fármaco é o preço, muito mais alto do que o de uma tomografia. “Custa cerca de R$ 4 mil . Uma tomografia custa de R$ 400 a R$ 600”, ele calcula. Outra aplicação eficaz do exame e já comprovada em outros países é para pacientes com uma espécie de tumor agressivo no cérebro chamado glioblastoma multiforme. “Vamos fazer outro ensaio clínico, posteriormente, com esse tipo de pacientes”, promete o professor. Mais uma possível aplicação do [18f] fluorclorina é para detectar tumores de câncer de mama. “O que queremos com o ensaio clínico que vai ser realizado agora é gerar dados para subsidiar a Anvisa para que ela permita que essa substância seja comercializada no país”, acrescenta Mamede.

 Outra tecnologia já empregada no país e que consiste em um princípio semelhante é a que usa o radiofármaco [18f]-FDG (fluorodesoxyglucose). Segundo Mamede, a reprodução de células consome muita glicose, então, em locais onde há grande reprodução de células, eles são destacados nas imagens de tomografia com essa tecnologia. Dessa maneira é possível detectar tumores com maior precocidade. Os exames que usam [18f]-FDG também são uma espécie de PET.

Fonte: Portal Uai